E os meus pedaços estavam ali
talvez nem todos
mas a textura era crível

Os pés de outrora
fincados no chão
deram azo a uma flutuação tímida
pura cautela
ou desavença

Sim, havia uma brisa de verão
era resoluta e fértil
mas carregava olores invernais
e a terra estremeceu

Os soldados vigiavam as feras
espadas em punho, lanças em riste
prenúncio repetido de eras passadas
em que vagavam residentes mórbidos

Juntou-se um pedaço
e outro
e os ventos observavam
de quando em vez reunindo escrúpulos
em redobrado esforço

Aquietou-se o mar
vibrando em fúria reprimida
esperando a noite
para que voltasse a si

E os meus pedaços estavam ali
a contemplar o afã da unidade
no vasto anseio de mim

As mãos de agora
segurando os lábios
deixaram escapar um ruído rouco
puro dissabor
ou medo

E passaram-se instantes…

E os meus pedaços estavam ali
talvez nem todos

Os pés de embora
já iam alto, volitivos
pura ilusão
ou liberdade

Marcos Arthur Escrito por:

Inquieto. Curioso. Companheiro da Marina e pai do Otto. Ultramaratonista. Facilitador de aprendizagem. Sócio-fundador na 42formas. Escritor amador. Eterno aprendiz.

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