Lampejo, interior, noite

Cheiro de terra
cadeira de lata, calçada de pedra
mesa de lata
e cerveja barata
com água de vidro escorrida até o chão

Dois transeuntes
um andarilho
três moças apressadas
e algumas vezes levante-se o chapéu

Um cigarro
fumo de rolo, de corda
debulhado em mão
e canivete
daqueles que dobram
e o caboclo carrega na prega da calça
ou no bolso da camisa
de manga curta
“Uma cachaça, por favor.”

O céu piche
as estrelas vaga-lume
a lua, fugida
a terra vermelha
o jeans
surrado
a cor igual

Casebre roto
despida a poeira
do corpo
sono cedo
levante cedo
a primeira água
do dia
fria
é para lavar a alma

Marcos Arthur Escrito por:

Inquieto. Curioso. Companheiro da Marina e pai do Otto. Ultramaratonista. Facilitador de aprendizagem. Sócio-fundador na 42formas. Escritor amador. Eterno aprendiz.

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